25 de julho de 2015

Crítica: Moonrise Kingdom (2012)

   
     
     
      Todos nós já vimos filmes que tratam de amor juvenil, do primeiro amor e tantos outros temas derivados. “Moonrise Kingdom” nos mostra uma história desse gênero, mas de uma forma completamente diferente do que você já viu antes. A partir da primeira cena, podemos de imediato identificar que se trata de um filme de Wes Anderson. A simetria dos planos de câmera e o uso proposital de muitas cores tanto na fotografia como no ambiente e figurino dos personagens já é uma marca registrada na filmografia de Anderson. A presença recorrente de um narrador também é algo comum em muitos de seus filmes.
     O roteiro indicado ao Oscar 2013 e escrito por Roman Coppola em parceria com Anderson nos leva ao ano de 1965 em uma ilha afastada e situada na Nova Inglaterra. É lá que vivem a família de Suzy Bishop (Kara Hayward), uma garota de 12 anos que adora ler seus  livros de aventura. Nessa mesma ilha, um grupo de pequenos escoteiros comandados pelo Escoteiro-Chefe (Edward Norton) estão acampando e fazendo seus treinamentos corriqueiros. Sam Shakusky (Jared Gilman) é um desses escoteiros, mas é um garoto diferente e mal-entendido pelos demais colegas. Ele conhece Suzy em uma peça de teatro e a partir daí os dois trocam cartas de amor e planejam fugir juntos para viverem uma aventura longe de todos que não os entendem. O que eles não esperavam era a busca incansável liderada pelo policial da região (vivido por Bruce Willis).
     Wes Anderson sempre aprecia em nos contar histórias de famílias excêntricas e muitas vezes desconexas. A família Bishop é uma dessas. Os pais de Suzy (vividos por Bill Murray e Frances McDormand ) não conseguem entender o comportamento da filha e isso faz com que eles mesmos não mais se entendam. Entretanto, o tema central do longa é a descoberta do primeiro amor contada de forma tão delicada e pura e, ao mesmo tempo, aventuresca. Sam e Suzy querem apenas viver em um paraíso só deles, sem ninguém para julgá-los  e atormentá-los.


    Não há espaço para o “desabrochar” da sexualidade. Aqui, Anderson está preocupado em desenvolver um desejo pueril que faz com que Sam e Suzy nunca mais queiram ficar longe um do outro, mesmo com os obstáculos enfrentados por ambos.
    Os jovens atores estreantes, Jared Gilman e Kara Hayward estão impecáveis nos papéis de Sam e Suzy. Ambos conseguem manter uma química tão entusiasmada e fofa que contagia qualquer espectador. O elenco adulto e já veterano da sétima arte também mandam muito bem com seus personagens. Edward Norton, Bruce Willis, Bill Murray e Frances McDormand  compartilham momentos divertidíssimos  em cena. É bom ver Bruce Willis longe daqueles típicos personagens de ação, nos mostrando um visual bastante diferente do que ele é acostumado a usar em grande parte de seus filmes. As participações especiais de Tilda Swinton e Jason Schwartzman também são muito bem vindas à história. A narração de Bob Balaban explicando as partes que compõem a sinfonia de uma orquestra faz bastante sentido se tomarmos como uma metáfora da família.      

    A trilha sonora assinada pelo francês Alexandre Desplat acrescenta um tom mais lúdico ao longa, com músicas que casam perfeitamente com a aventura bucólica do nosso jovem casal  de apaixonados. E como eu disse no início, a fotografia e o uso de cores intensas misturadas com tons pastéis são atributos perfeitos para um filme tão peculiar. Assim como em “O Fantástico Sr, Raposo”, Wes Anderson nos convence que uma fábula ou aventura infantil cheia de diálogos ricos é uma diversão para os adultos apreciarem. E bem que a aventura vivida por Sam e Suzy poderia perfeitamente ter saído de um dos livros preferidos da garota. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário