Nos últimos anos, o cinema independente tem se destacado em diversas premiações e festivais por várias razões: roteiros inteligentes e bem amarrados, uma boa escolha de elenco, direção competente, fotografia notável e é claro, uma trilha sonora intensa com muito rock/pop/folk, atributo indispensável em filmes indies. Todas essas características citadas estão presentes em “As Vantagens de Ser Invisível” (“The Perks of Being a Wallflower” no título original), filme adaptado do livro homônimo escrito por Stephen Chbosky. Além de ser o autor do livro, Chbosky também é o roteirista e diretor do longa, fato que torna o projeto o mais pessoal possível, valorizando cada personagem criado por ele próprio e explorando a densidade de um bom drama de amadurecimento.
Na história,
Charlie (vivido pelo ator Logan Lerman) é um adolescente que está entrando no
colegial, mas tem dificuldades de socialização por estar se recuperando de
alguns traumas de sua vida como o suicídio de seu melhor amigo e a morte
trágica de sua tia mais próxima. Na escola, ele conhece Sam e Patrick (vividos
por Emma Watson e Ezra Miller), dois jovens extremamente divertidos e
espontâneos que logo se simpatizam por Charlie e fazem questão de integrá-lo ao
grupo de “desajustados” do qual fazem parte. Um ponto bastante interessante da
trama é o fato de Charlie escrever diariamente cartas para um amigo que ele
mesmo não conhece, mas isso funciona como uma necessidade interna de desabafar
todos os seus sentimentos relacionados à sua família, aos seus novos amigos e
ao seu trauma pessoal.
Logan Lerman
conhecido pela franquia “Percy Jackson”, tem sua melhor atuação como Charlie,
mostrando ser um ator esforçado e que sabe muito bem transpor para as telas um
personagem tão delicado e difícil. Emma Watson, famosa por ter interpretado
durante 10 anos a Hermione da saga “Harry Potter”, aparece radiante e adorável
como Sam, fazendo o espectador se apaixonar por ela a partir do primeiro
momento em que ela entra em cena. Para fechar o trio protagonista, temos o
ótimo Ezra Miller, que nem parece o sombrio Kevin de “Precisamos Falar Sobre o
Kevin”. Interpretando o personagem Patrick, Ezra prova ser um ator muito
versátil e extremamente carismático.
A trilha
sonora escolhida para o filme casa perfeitamente com o amadurecimento do
protagonista. Como a trama se passa nos anos 90, bandas do cenário musical das
décadas de 70 a 90 como New Order, Pavement, Sonic Youth, The Smiths e o
icônico David Bowie só enriquecem o desenvolvimento do filme, tornando-o
atrativo para várias gerações. Como não se emocionar ouvindo “Heroes” do Bowie
nas duas maravilhosas cenas em que ela é tocada?! É para contagiar qualquer um
que curte uma boa música.
Chbosky
procurou ser o mais fiél possível ao seu próprio livro, criando um roteiro rico
em diálogos interessantes entre os personagens, principalmente nas cenas entre
Charlie e seu professor, Mr. Anderson (vivido pelo ator Paul Rudd), onde em uma
delas há uma das frases mais brilhantes do longa: “Nós aceitamos o amor que
pensamos merecer”. Depois de ouvir essa frase certamente o espectador vai
passar a ter algumas reflexões acerca do amor, das amizades e da vida.
As Vantagens
de Ser Invisível não é apenas um bom drama com temática adolescente, mas um filme
feito para jovens, adultos e idosos se cativarem com a trajetória de
auto-conhecimento de um garoto que se sentia deslocado e deprimido, mas que com a
ajuda de verdadeiros amigos, consegue sentir a plenitude do que é viver
intensamente, afinal, todos nós devemos nos sentir infinitos, assim como
Charlie, Sam e Patrick.


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