22 de julho de 2015

Crítica: As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower, 2012)



Nos últimos anos, o cinema independente tem se destacado em diversas premiações e festivais por várias razões: roteiros inteligentes e bem amarrados, uma boa escolha de elenco, direção competente, fotografia notável e é claro, uma trilha sonora intensa com muito rock/pop/folk, atributo indispensável em filmes indies. Todas essas características citadas estão presentes em “As Vantagens de Ser Invisível” (“The Perks of Being a Wallflower” no título original), filme adaptado do livro homônimo escrito por Stephen Chbosky. Além de ser o autor do livro, Chbosky também é o roteirista e diretor do longa, fato que torna o projeto o mais pessoal possível, valorizando cada personagem criado por ele próprio e explorando a densidade de um bom drama de amadurecimento.
Na história, Charlie (vivido pelo ator Logan Lerman) é um adolescente que está entrando no colegial, mas tem dificuldades de socialização por estar se recuperando de alguns traumas de sua vida como o suicídio de seu melhor amigo e a morte trágica de sua tia mais próxima. Na escola, ele conhece Sam e Patrick (vividos por Emma Watson e Ezra Miller), dois jovens extremamente divertidos e espontâneos que logo se simpatizam por Charlie e fazem questão de integrá-lo ao grupo de “desajustados” do qual fazem parte. Um ponto bastante interessante da trama é o fato de Charlie escrever diariamente cartas para um amigo que ele mesmo não conhece, mas isso funciona como uma necessidade interna de desabafar todos os seus sentimentos relacionados à sua família, aos seus novos amigos e ao seu trauma pessoal.


Logan Lerman conhecido pela franquia “Percy Jackson”, tem sua melhor atuação como Charlie, mostrando ser um ator esforçado e que sabe muito bem transpor para as telas um personagem tão delicado e difícil. Emma Watson, famosa por ter interpretado durante 10 anos a Hermione da saga “Harry Potter”, aparece radiante e adorável como Sam, fazendo o espectador se apaixonar por ela a partir do primeiro momento em que ela entra em cena. Para fechar o trio protagonista, temos o ótimo Ezra Miller, que nem parece o sombrio Kevin de “Precisamos Falar Sobre o Kevin”. Interpretando o personagem Patrick, Ezra prova ser um ator muito versátil e extremamente carismático.
A trilha sonora escolhida para o filme casa perfeitamente com o amadurecimento do protagonista. Como a trama se passa nos anos 90, bandas do cenário musical das décadas de 70 a 90 como New Order, Pavement, Sonic Youth, The Smiths e o icônico David Bowie só enriquecem o desenvolvimento do filme, tornando-o atrativo para várias gerações. Como não se emocionar ouvindo “Heroes” do Bowie nas duas maravilhosas cenas em que ela é tocada?! É para contagiar qualquer um que curte uma boa música.
Chbosky procurou ser o mais fiél possível ao seu próprio livro, criando um roteiro rico em diálogos interessantes entre os personagens, principalmente nas cenas entre Charlie e seu professor, Mr. Anderson (vivido pelo ator Paul Rudd), onde em uma delas há uma das frases mais brilhantes do longa: “Nós aceitamos o amor que pensamos merecer”. Depois de ouvir essa frase certamente o espectador vai passar a ter algumas reflexões acerca do amor, das amizades e da vida.
As Vantagens de Ser Invisível não é apenas um bom drama com temática adolescente, mas um filme feito para jovens, adultos e idosos se cativarem com a trajetória de auto-conhecimento de um garoto que se sentia deslocado e deprimido, mas que com a ajuda de verdadeiros amigos, consegue sentir a plenitude do que é viver intensamente, afinal, todos nós devemos nos sentir infinitos, assim como Charlie, Sam e Patrick. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário