Uma Paris surrealista. Essa poderia ser a descrição do
cenário em “A Espuma dos Dias” (“L’Écume des Jours” no título original), filme do diretor francês Michel
Gondry (de “Brilho Eterno de Uma
Mente Sem Lembranças”).
Adaptação do livro “L’Écume des Jours” escrito por Boris Vian, o filme conta a história de
Colin (vivido por Romain Duris), um
homem muito rico que vive em uma casa cheia de artefatos malucos que ganham
vida e leva uma vida sem trabalho e sem estresse ao lado dos amigos Nicolas (Omar Sy) e Chick (Gad Elmaleh). Quando ele percebe que seus amigos encontraram as
mulheres ideiais, Colin decide se apaixonar também e é aí que encontra a
encantadora Chloé (interpretada pela linda Audrey
Tatou) com quem pouco tempo depois se casa. Na sua lua-de-mel, Chloé adoece
e dias depois descobre-se que uma flor está crescendo em seu pulmão e causando
a doença. A partir daí, Colin muda sua vida para apenas viver em função da cura
de sua amada.
É fato que o diretor Michel
Gondry adota uma boa dose de surrealismo na maioria de seus filmes e vemos isso
no maravilhoso “Brilho Eterno de Uma
Mente Sem Lembranças” de 2004. Mas em “A Espuma
dos Dias” ele exagera um pouco na dose e vê a necessidade de pôr em cada cena
objetos ganhando vida ou flutuando. Talvez no livro isso funcionasse de uma
forma mais convincente, mas no longa, esse exagero parece não ter muito
sentido. O maior sentido que vejo no uso deste atributo é metaforizar o estilo
de vida do protagonista: uma vida cheia de riquezas materiais.
É inegável que o uso de muitas cores no início do filme casa
perfeitamente com a felicidade inicial de Colin e do encontro com o seu grande
amor, Chloé. Mas à medida que a doença de Chloé vai avançando e a vida de Colin
vai perdendo seu brilho, ele vai afundando em uma profunda tristeza na
tentativa de salvar a mulher que ama e, portanto o filme passa a ser mais
melancólico. E essa melancolia traz ao filme a mudança nas cores que antes eram
vivas e agora são mais tristes e acinzentadas até chegar ao ponto do filme
adquirir o tom preto e branco.
A trilha sonora é embalada por um jazz com canções de Duke Ellington, cantor que é várias
vezes citados ao longo do filme.
Audrey Tatou
aparece adorável como sempre e Romain
Duris incorpora muito bem seu protagonista, mesclando seus momentos de
alegria e seus momentos de tristeza. O simpaticíssimo ator Omar Sy também está muito bem,
repetindo o seu talento de atuar como já vimos antes no famoso “Intocáveis” de 2011.
A Espuma dos Dias não é seu melhor filme, mas mesmo assim Michel Gondry trouxe uma produção bela e metafórica.


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