26 de julho de 2015

Crítica: A Espuma dos Dias (L'écume des jours, 2013)


    Uma Paris surrealista. Essa poderia ser a descrição do cenário em “A Espuma dos Dias” (“L’Écume des Jours” no título original), filme do diretor francês Michel Gondry (de “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”). 
    Adaptação do livro “L’Écume des Jours” escrito por Boris Vian, o filme conta a história de Colin (vivido por Romain Duris), um homem muito rico que vive em uma casa cheia de artefatos malucos que ganham vida e leva uma vida sem trabalho e sem estresse ao lado dos amigos Nicolas (Omar Sy) e Chick (Gad Elmaleh). Quando ele percebe que seus amigos encontraram as mulheres ideiais, Colin decide se apaixonar também e é aí que encontra a encantadora Chloé (interpretada pela linda Audrey Tatou) com quem pouco tempo depois se casa. Na sua lua-de-mel, Chloé adoece e dias depois descobre-se que uma flor está crescendo em seu pulmão e causando a doença. A partir daí, Colin muda sua vida para apenas viver em função da cura de sua amada.
    É fato que o diretor Michel Gondry adota uma boa dose de surrealismo na maioria de seus filmes e vemos isso no maravilhoso “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” de 2004. Mas em “A Espuma dos Dias” ele exagera um pouco na dose e vê a necessidade de pôr em cada cena objetos ganhando vida ou flutuando. Talvez no livro isso funcionasse de uma forma mais convincente, mas no longa, esse exagero parece não ter muito sentido. O maior sentido que vejo no uso deste atributo é metaforizar o estilo de vida do protagonista: uma vida cheia de riquezas materiais.


    É inegável que o uso de muitas cores no início do filme casa perfeitamente com a felicidade inicial de Colin e do encontro com o seu grande amor, Chloé. Mas à medida que a doença de Chloé vai avançando e a vida de Colin vai perdendo seu brilho, ele vai afundando em uma profunda tristeza na tentativa de salvar a mulher que ama e, portanto o filme passa a ser mais melancólico. E essa melancolia traz ao filme a mudança nas cores que antes eram vivas e agora são mais tristes e acinzentadas até chegar ao ponto do filme adquirir o tom preto e branco.
    A trilha sonora é embalada por um jazz com canções de Duke Ellington, cantor que é várias vezes citados ao longo do filme.
    Audrey Tatou aparece adorável como sempre e Romain Duris incorpora muito bem seu protagonista, mesclando seus momentos de alegria e seus momentos de tristeza. O simpaticíssimo ator Omar Sy também está muito bem, repetindo o seu talento de atuar como já vimos antes no famoso “Intocáveis” de 2011.
  A Espuma dos Dias não é seu melhor filme, mas mesmo assim Michel Gondry trouxe uma produção bela e metafórica. 

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