27 de julho de 2015

Crítica: Antes da Meia-Noite (Before Midnight, 2013)


    Em 1995, o cinema apresentou ao mundo um dos casais mais amados pelos apreciadores da sétima arte. Estou falando de Jesse e Celine, interpretados por Ethan Hawke e Julie Delpy respectivamente e protagonistas de uma trilogia que ficará marcada para sempre como uma verdadeira obra-prima cinematográfica.
    No primeiro filme, “Antes do Amanhecer”, o diretor Richard Linklater nos mostra o momento em que Jesse e Celine se conhecem e se apaixonam. De uma forma primorosamente natural, nós assistimos o amor dos dois florescer pelas ruas de Viena na Áustria. Nove anos depois, em 2004, Linklater lança “Antes do Pôr-do-Sol” e o cenário é a deliciosa Paris, lugar onde os personagens se reencontram por acaso e discutem através de diálogos belíssimos os diferentes rumos que a vida proporcionou aos dois. Durante os nove anos que passaram longe um do outro, Jesse virou escritor e entrou em um casamento infeliz e Celine investiu em uma vida profissional que lhe garantisse sua independência.
    Mais 9 anos se passam e eis que em 2013 veio o maravilhoso “Antes da Meia-Noite” e sentimos aquela felicidade em saber que Jesse e Celine aparecem juntos e com duas filhas gêmeas. Assim como nos dois filmes anteriores, “Antes da Meia-Noite” é composto de diálogos inteligentes e extremamente naturais que nos fazem se importar com aquela história e com aqueles personagens. O roteiro escrito pelo diretor Richard Linklater juntamente com os protagonistas Julie Delpy e Ethan Hawke já explica o tom mais maduro e humano do longa. Depois de tantos anos juntos, os três realizadores do filme estão em sua mais alta sintonia e isso reflete magistralmente em suas performances e na direção.


    Dessa vez  a história se passa na Grécia, onde Jesse e Celine passam seus últimos dias de férias ao lado das filhas e de outros casais amigos. A escolha do lugar para servir de cenário ao filme foi muito bem pensada. Em meio às ruínas gregas, vemos o relacionamento de um casal entrar aos poucos em desgaste, afinal, eles se encontram em uma fase difícil da vida: a aproximação da crise da meia-idade. Assim como na vida real, Jesse e Celine também possuem dúvidas acerca de uma relação duradoura e se aquela paixão ainda permanece acesa.
    O clímax do filme é de uma naturalidade impecável, mas cruel e verdadeiro ao mesmo tempo. É dentro de um quarto de hotel que acontece o momento mais duro e sufocante da trilogia inteira. Quando Jesse e Celine estão prestes a ter uma romântica noite, basta apenas um pequeno detalhe para uma discussão aparecer. E é aí que reside a aproximação com a vida real. Sem qualquer tipo de clichê idealizado, em “Antes da Meia-Noite” assistimos as preocupações que casais reais possuem. É o filho do casamento anterior que está crescendo distante do pai, é o marido que trabalha muito e quase não está em casa, é a esposa que gostaria de ter mais tempo livre para ela mesma e tantos outros problemas que também afetam as pessoas comuns.
    A construção e o desenvolvimento dessa cena são lindos! Optar por mostrar os seios de uma forma não sensual, mas puramente natural é algo que não vemos com frequência no cinema americano. Julie Delpy atinge nessa longa cena uma atuação formidável e honesta e para mim digna de indicação a Oscar. Ethan Hawke, também muito talentoso, consegue transpor para as telas um Jesse mais velho e maduro, mas que ainda possui aquele mesmo amor jovial de 18 anos antes.
    A história de Jesse e Celine é orgânica, real, honesta com seu espectador e o belo desfecho de “Antes da Meia-Noite” nos deixa com aquele gostinho de querer ver no futuro mais um capítulo dessa história.

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