31 de julho de 2015

Crítica: Bling Ring - A Gangue de Hollywood (The Bling Ring, 2013)


    Chanel, Balmain, Miu Miu. Paris Hilton, Lindsay Lohan, Miranda Kerr.  Esses são alguns dos nomes citados em várias cenas  de "Bling Ring – A Gangue de Hollywood”, o mais recente filme da cineasta Sofia Coppola.
    Baseado no artigo “The Suspects Wore Louboutins” escrito pela jornalista Nancy Jo Sales e publicado na revista Vanity Fair, “The Bling Ring” traz à tona todo o universo da futilidade exacerbada que fascina muitos jovens. O filme é inspirado em fatos reais e conta a história de um grupo de adolescentes de Los Angeles que invadiam as casas de vários famosos de Hollywood, roubavam deles roupas, acessórios, jóias e dinheiro e saíam por aí ostentando os seus “ganhos” e publicando fotos em redes sociais. E detalhe: esses adolescentes vinham de famílias com perfeitas condições financeiras.
    O filme tem início com trechos da entrevista de Marc (interpretado por Israel Broussard) e Nicki (vivida por Emma Watson) respondendo perguntas à fotógrafos e jornalistas e em poucos minutos voltamos um ano antes para conhecermos os fatos ocorridos. Marc acaba de entrar numa nova escola e por não se achar atraente, ele não consegue se enturmar facilmente. É então que aparece Rebecca (Katie Chang) que logo fica amiga dele e mostra os seus pequenos “dons” em furtar objetos e dinheiro em carros alheios. Marc passa a ajudá-la nos furtos e conhece outras garotas: Chloe (Claire Julien), Nicki (Emma Watson) e Sam (Taissa Farmiga). Do furto em carros elas passam a invadir casas, principalmente, casas de celebridades. Entre as vítimas estão a socialite Paris Hilton, a atriz Lindsay Lohan e o casal Orlando Bloom e Miranda Kerr.
    A diretora Sofia Coppola explora o fascínio que grande parte da juventude nutre pelo “lifestyle of rich and famous” e faz uma ode à ostentação. Porém, dentro dessa temática está a simples, mas profunda, crítica ao culto desse estilo de vida . O sentimento de que são invencíveis e inatingíveis estão presentes nesses personagens. Rebecca, Marc, Nicki, Sam e Chloe não se cansam em roubar as roupas de grife e joias de seus ídolos até o momento em que são descobertos pela polícia e pela mídia.
    Para dar um tom mais real e até documental ao filme, o roteiro utiliza uma linguagem simples e até próxima dos jovens, mas também utiliza expressões comuns usadas por garotas fúteis que apenas valorizam grifes famosas.


    Se em “As Virgens Suicidas” Sofia mostra pais opressores, em “The Bling Ring” ela traz pais ausentes e uma mãe superficial, que não procuram saber o que os filhos fazem fora de casa e acreditam em tudo o que eles dizem.
    O vazio existencial é um tema recorrente na filmografia de Sofia Coppola, mas ela nunca repete esse sentimento da mesma forma. Basta lembrar de seus filmes anteriores e enxergar isso através de seus personagens. As irmãs em “As Virgens Suicidas” cansadas da educação repressora que recebem; o personagem de Bill Murray em “Encontros e Desencontros” e o de Stephen Dorff em “Um Lugar Qualquer”, ambos cansados da fama. Mas esse vazio existencial ela também retrata no exagero do luxo como vemos em “Maria Antonieta” e agora em “The Bling Ring”.
    As performances dos cinco jovens atores estão bastante satisfatórias e eles  conseguem de maneira realista interpretar esses “ladrões de famosos”. O iniciante ator Israel Broussard é um dos que mais se destacam e seu personagem (Marc) é o mais interessante da história, talvez por ele se o mais puro e por ter sido corrompido pela sua melhor amiga e por ser o único que não demonstra falsidade no grupo. Ele demonstra gostar realmente de suas amigas. As garotas além de falsas, são extremamente cínicas, principalmente Rebecca e Nicki. Esta que vem a público afirmar que o escândalo dos roubos serviu para fazê-la crescer como pessoa e desejar um dia ser a líder de um país. Emma Watson encarna muito bem essa personagem cínica (e muito sensual) que nem parece a certinha Hermione da saga “Harry Potter”. Ela não é a líder da “gangue”, mas se torna a coadjuvante de maior destaque.
    A ótima trilha sonora é recheada de hip-hop (com nome  como Kanye West e M.I.A.) e músicas da banda indie pop Phoenix. Uma das músicas (Bad Girls da M.I.A) que a personagem Chloe canta e acompanha no rádio diz as seguintes palavras: “Live fast, die young. Bad girls do it well”. Um pequeno detalhe muito bem pensado por Sofia. 
    “The Bling Ring" não é o melhor filme de Sofia Coppola pelo fato da temática ser menos complexa em comparação com seus filmes anteriores, mas vale a pena assisti-lo.
    Um mundo onde a fama é mais importante que o caráter e onde muitas famílias não impõem limites a seus filhos, Sofia põe em questão: até onde isso pode interferir no comportamento dos adolescentes?
    E se no decorrer do filme via-se sutilmente uma crítica social, no fim ela é estampada na sua cara quando o personagem Marc diz à entrevistadora:  “É incômodo que tantos me adorem por algo tão odiado pela sociedade. Se fosse por algo que beneficiasse a comunidade ou algo parecido, eu adoraria. Mas isso demonstra que a América tem um fascínio mórbido pela coisa de Bonnie e Clyde.”  Essa definitivamente é uma verdade que precisamos ouvir.

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