Chanel,
Balmain, Miu Miu. Paris Hilton, Lindsay Lohan, Miranda Kerr. Esses são alguns dos nomes citados em
várias cenas de "Bling Ring – A
Gangue de Hollywood”, o mais recente filme da cineasta Sofia Coppola.
Baseado no artigo “The Suspects Wore Louboutins” escrito
pela jornalista Nancy Jo Sales e publicado na revista Vanity Fair, “The Bling
Ring” traz à tona todo o universo da futilidade exacerbada que fascina muitos
jovens. O filme é inspirado em fatos reais e conta a história de um grupo de
adolescentes de Los Angeles que invadiam as casas de vários famosos de
Hollywood, roubavam deles roupas, acessórios, jóias e dinheiro e saíam por aí
ostentando os seus “ganhos” e publicando fotos em redes sociais. E detalhe:
esses adolescentes vinham de famílias com perfeitas condições financeiras.
O filme tem início com trechos da entrevista de Marc
(interpretado por Israel Broussard) e Nicki (vivida por Emma Watson)
respondendo perguntas à fotógrafos e jornalistas e em poucos minutos voltamos
um ano antes para conhecermos os fatos ocorridos. Marc acaba de entrar numa
nova escola e por não se achar atraente, ele não consegue se enturmar
facilmente. É então que aparece Rebecca (Katie Chang) que logo fica amiga dele
e mostra os seus pequenos “dons” em furtar objetos e dinheiro em carros
alheios. Marc passa a ajudá-la nos furtos e conhece outras garotas: Chloe
(Claire Julien), Nicki (Emma Watson) e Sam (Taissa Farmiga). Do furto em carros
elas passam a invadir casas, principalmente, casas de celebridades. Entre as
vítimas estão a socialite Paris Hilton, a atriz Lindsay Lohan e o casal Orlando
Bloom e Miranda Kerr.
A diretora Sofia Coppola explora o fascínio que grande
parte da juventude nutre pelo “lifestyle of rich and famous” e faz uma ode à
ostentação. Porém, dentro dessa temática está a simples, mas profunda, crítica
ao culto desse estilo de vida . O sentimento de que
são invencíveis e inatingíveis estão presentes nesses personagens. Rebecca,
Marc, Nicki, Sam e Chloe não se cansam em roubar as roupas de grife e joias de
seus ídolos até o momento em que são descobertos pela polícia e pela mídia.
Para dar um tom mais real e até documental ao filme, o
roteiro utiliza uma linguagem simples e até próxima dos jovens, mas também
utiliza expressões comuns usadas por garotas fúteis que apenas valorizam grifes
famosas.
Se em “As Virgens Suicidas” Sofia mostra pais opressores,
em “The Bling Ring” ela traz pais ausentes e uma mãe superficial, que não
procuram saber o que os filhos fazem fora de casa e acreditam em tudo o que
eles dizem.
O vazio existencial é um tema recorrente na filmografia
de Sofia Coppola, mas ela nunca repete esse sentimento da mesma forma. Basta
lembrar de seus filmes anteriores e enxergar isso através de seus personagens.
As irmãs em “As Virgens Suicidas” cansadas da educação repressora que recebem;
o personagem de Bill Murray em “Encontros e Desencontros” e o de Stephen Dorff
em “Um Lugar Qualquer”, ambos cansados da fama. Mas esse vazio existencial ela
também retrata no exagero do luxo como vemos em “Maria
Antonieta” e agora em “The Bling Ring”.
As performances dos cinco jovens atores estão bastante
satisfatórias e eles conseguem de
maneira realista interpretar esses “ladrões de famosos”. O iniciante ator Israel
Broussard é um dos que mais se destacam
e seu personagem (Marc) é o mais interessante da história, talvez por ele se o
mais puro e por ter sido corrompido pela sua melhor amiga e por ser o único que
não demonstra falsidade no grupo. Ele demonstra gostar realmente de suas amigas. As
garotas além de falsas, são extremamente cínicas, principalmente Rebecca e
Nicki. Esta que vem a público afirmar que o escândalo dos roubos serviu
para fazê-la crescer como pessoa e desejar um dia ser a líder de um país. Emma
Watson encarna muito bem essa personagem
cínica (e muito sensual) que nem parece a certinha Hermione da saga “Harry
Potter”. Ela não é a líder da “gangue”, mas se torna a coadjuvante de maior
destaque.
A ótima trilha sonora é recheada de
hip-hop (com nome como Kanye West e M.I.A.) e músicas da banda indie pop Phoenix. Uma das músicas (Bad Girls da M.I.A) que a personagem Chloe canta
e acompanha no rádio diz as seguintes palavras: “Live fast, die young. Bad
girls do it well”. Um pequeno detalhe muito bem pensado por Sofia.
“The Bling Ring" não é o melhor
filme de Sofia Coppola pelo fato da temática ser menos complexa em comparação
com seus filmes anteriores, mas vale a pena assisti-lo.
Um mundo onde a fama é mais importante que o caráter e
onde muitas famílias não impõem limites a seus filhos, Sofia põe em questão:
até onde isso pode interferir no comportamento dos adolescentes?
E se no decorrer do filme via-se sutilmente uma crítica
social, no fim ela é estampada na sua cara quando o personagem Marc diz à
entrevistadora: “É incômodo que tantos
me adorem por algo tão odiado pela sociedade. Se fosse por algo que
beneficiasse a comunidade ou algo parecido, eu adoraria. Mas isso demonstra que
a América tem um fascínio mórbido pela coisa de Bonnie e Clyde.” Essa definitivamente é uma verdade que
precisamos ouvir.


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