Um dos filmes mais célebres realizado por Roman Polanski, “Chinatown” levou o
cinema noir em uma direção totalmente nova, subvertendo o sonho americano em um
retrato mais sombrio e sujo da América. Considerado como um filme neo-noir, ele apresenta uma nova roupagem ao gênero famoso das décadas de 30 e 40,
que continham sempre as figuras do detetive, da femme fatale e de vilões
abomináveis, todos envolvidos em intrigas policiais.
Em Chinatown, Jack J. Gittes (Jack Nicholson) é um detetive contratado para investigar um caso de adultério a pedido de uma mulher que ele acredita ser Evelyn Mulwray (Diane Ladd), esposa do engenheiro–chefe do Departamento de Águas e Energia de Los Angeles, Hollis Mulwray (Darrell Zwerling). À medida que o caso se desenvolve, Jack se envolve com a verdadeira Sra. Mulwray (Faey Dunaway) em uma intriga de corrupção, fraude, assassinato e incesto, que de forma magistral desconstrói a típica narrativa de filmes investigativos. Aqui não há espaço para reviravoltas simplistas, mas sim para um desenvolvimento complexo cheio de sutilezas em sua narrativa.
Em Chinatown, Jack J. Gittes (Jack Nicholson) é um detetive contratado para investigar um caso de adultério a pedido de uma mulher que ele acredita ser Evelyn Mulwray (Diane Ladd), esposa do engenheiro–chefe do Departamento de Águas e Energia de Los Angeles, Hollis Mulwray (Darrell Zwerling). À medida que o caso se desenvolve, Jack se envolve com a verdadeira Sra. Mulwray (Faey Dunaway) em uma intriga de corrupção, fraude, assassinato e incesto, que de forma magistral desconstrói a típica narrativa de filmes investigativos. Aqui não há espaço para reviravoltas simplistas, mas sim para um desenvolvimento complexo cheio de sutilezas em sua narrativa.
O roteiro excepcionalmente escrito por Robert Towne e muito bem amarrado (não foi à toa que ganhou um Oscar de melhor roteiro), revela cuidadosamente os seus muitos mistérios com uma narrativa inteligente e mostra personagens dúbios e cínicos, enaltecendo o lado sujo da natureza humana. Observa-se que é muito difícil determinar quem é o criminoso e quem é a vítima em Chinatown. O tema da ambiguidade moral sustenta o filme. O próprio detetive Gittes apresenta uma moral questionável, apreciando piadas machistas e algumas vezes portando um comportamento agressivo inconsequente (como vemos na cena da barbearia).
Jack Nicholson
oferece uma das melhores performances de sua carreira como Gittes, um detetive
inteligente, espirituoso e que tem más recordações do bairro Chinatown, no
centro de Los Angeles, onde trabalhou durante um período. Truques simples, mas
inteligentes, são feitos por ele em sua investigação, como quando ele coloca um
relógio sob os pneus do carro de Hollis Mulwray à noite para ver quanto tempo o
carro ficou estacionado. Esses momentos nos permitem conhecer a personalidade
de Gittes. Além disso, vemos Chinatown através
dos olhos dele. Roman Polanski fez
questão de retirar qualquer narração em off, filmando tudo sob a perspectiva de
seu protagonista (como se a câmera estivesse sempre posicionada sobre os ombros
de Gittes), fazendo o espectador ter a impressão de sempre acompanhar as
investigações do detetive como se fosse uma testemunha invisível de todos os
acontecimentos ao redor dele.
Faye Dunaway vai além da típica femme fatale. Ela incorpora uma personagem que mais que sedutora, esconde segredos profundos e sombrios de seu passado, tornando-a a personagem mais misteriosa e implacável do longa. Em boa parte do filme, não sabemos suas reais motivações no envolvimento com o detetive Gittes nem se a mesma está de fato envolvida na morte do marido. Também vemos a excelente participação de John Huston, como um homem vil e inescrupuloso. Quando entra em cena, Huston rouba todo o momento para si. O próprio Roman Polanski faz uma ponta no filme na famosa cena em que o detetive Gittes tem seu nariz cortado.
“Chinatown” também
é notável pelo fim trágico de sua história. O final foi concebido por Polanski em oposição
ao roteirista Robert Towne. Polanski foi provavelmente influenciado por sua
própria experiência amarga do assassinato brutal de sua esposa Sharon Tate por
seguidores de Charles Mason em Los Angeles.
Mesmo em meio aos conflitos entre diretor e roteirista, “Chinatown” é a combinação de todos os elementos que fazem dele um filme inesquecível: desde a inteligência do roteiro e a elegância cinematográfica, passando pela fotografia inovadora para o gênero noir, deixando o clássico P&B e apostando em uma paleta com cores terrosas e uma trilha sonora sublime composta por Jerry Goldsmith. Uma trilha que contribui não só para o clima de tensão e intrigas mas também para dar um certo sabor da década de 30.
Mais do que um clássico inesquecível, vejo em “Chinatown” como um estudo envolvente da corrupção moral, um tema tão relevante hoje como era no tempo em que ele foi filmado.





